Dia 6 — Começando a matriz perdida de grande formato

30 de novembro de 2024
O ateliê da Art Print Residence fecha nos fins de semana, mas a área externa fica aberta para quem quiser trabalhar. Eu quis.
Depois da residência, tenho quatro dias planejados em Barcelona, então este fim de semana era para ficar. A obra de grande formato que começa agora exige tempo, e adiantar o máximo possível fazia todo o sentido. Na sexta à noite, antes de sair, deixei a placa que o Jordi cortou e as ferramentas de gravação do lado de fora, já preparadas.
De manhã, fui para a área externa. Fazia frio, mas o sol entrava. As outras residentes, Miao e a Sylvie, não estavam, e essa solidão foi bem-vinda — sem o movimento natural do ateliê em funcionamento, consegui me concentrar de um jeito diferente. Mais fundo, talvez.
Comecei pelo sketchbook. Rascunhos, variações, tentativas — o processo de encontrar a imagem antes de comprometê-la com a madeira.
Quando o desenho chegou onde eu queria, passei direto para a placa, à mão livre, sem transferência intermediária. Lápis primeiro, depois o marcador POSCA de ponta grossa para definir as linhas que vão guiar a entalha.
A obra
Esta nova xilogravura continua explorando os motivos botânicos das romãs, inspirados na cerâmica granadina de Fajalauza. Mas desta vez sem os passarinhos: só galhos, folhas e romãs.
E com uma diferença fundamental no processo: esta obra será feita pelo método de redução. É a segunda técnica de xilogravura policromática que vim aprender durante a residência — a primeira semana foi dedicada ao método de múltiplas matrizes, e esta segunda semana será para a xilogravura de redução. São duas abordagens distintas para um mesmo desafio: como construir cor em camadas.
Na redução, a lógica é outra. A ideia é imprimir a primeira camada de tinta — turquesa, cobrindo todos os elementos: galhos, folhas e romãs — e depois entalhar mais a mesma matriz, removendo tudo o que deve permanecer turquesa. A segunda camada, em azul mais escuro, cobrirá apenas as romãs, deixando o coração de cada uma na cor da primeira impressão. A matriz vai sendo destruída à medida que avança, o que torna cada decisão irreversível, por isso a técnica também é conhecida como “matriz perdida”.
Materiais utilizados
- Sketchbook
- Lápis
- Marcador POSCA de ponta grossa
- Compensado de choupo 5 mm
Há algo muito particular em trabalhar num espaço vazio que normalmente está cheio. O ateliê em silêncio tem outra qualidade — e passar o dia desenhando sozinha, com sol e frio, foi exatamente o que este sábado precisava ser.
Este projeto é realizado com o apoio do Programa Conexão Cultura DF e do Fundo de Apoio à Cultura do DF.








