Dia 10 — Desafios do grande formato

4 de dezembro de 2024

Comecei o dia escolhendo o papel. Desta vez, sem concessões: BFK Rives, 100% algodão, um salto de qualidade em relação ao Magnani Incisione que usei na semana passada. A diferença está na composição: papel de algodão não amarela com o tempo, tem maior resistência à umidade e absorve a tinta de forma mais uniforme, o que resulta numa impressão mais limpa e duradoura. A Claudia me explicou um detalhe que eu não sabia: a marca d’água no papel indica qual é o lado certo para imprimir. Me mostrou também como manusear as folhas grandes sem forçar, papel de qualidade amassa fácil se não for tratado com cuidado.

Com o papel escolhido, veio o primeiro imprevisto do dia: a prensa que usei na semana passada não comportava o registro para este formato. A prensa manual estava ocupada pela Sylvie. A solução foi a prensa elétrica de grande formato, equipamento mais potente, mas que exige a presença de um instrutor para operar. Fiquei feliz com isso: é uma ferramenta que não tenho acesso em Brasília, e poder trabalhar com ela é uma das oportunidades únicas que uma residência como esta oferece.

Trabalhar em grande formato traz desafios que o formato menor perdoa. O papel é mais difícil de posicionar sobre a matriz, e o encaixe no registro pede mais atenção, qualquer imprecisão agora vai aparecer na segunda camada de cor, e no método de redução não há como corrigir depois.

O problema dos fundos voltou, desta vez com mais intensidade. O rolo manchava as áreas entalhadas, gerando ruído visual nos fundos. Experimentei soluções diferentes: o Jordi sugeriu polvilhar talco nas áreas problemáticas para absorver o excesso de tinta mas funcionou parcialmente. O jornal como máscara, que resolveu bem na semana passada, aqui não funcionou: a prensa elétrica tem muito mais pressão, e a tinta do jornal transferia para o papel. Todas as tentativas ensinaram algo, mesmo quando o resultado não foi o esperado.

No fim, imprimi oito cópias. E saí do dia com uma compreensão muito mais clara de como a prensa elétrica se comporta e do que fazer diferente amanhã.

Para as próximas cores, vou ter que experimentar diferentes formas de encaixar a segunda camada — o registro da primeira não ficou tão preciso quanto eu gostaria. Encaixar a matriz a olho é uma das opções, mas a menos recomendada. Amanhã será dia de testar.

Materiais utilizados

  • Papel BFK Rives 100% algodão
  • Tintas Pantone e rolo 60° Shore
  • Prensa elétrica de grande formato
  • Talco
  • Jornal

Grande formato é outra escola. O que aprendi hoje não estava em nenhum manual, veio de experimentar, ajustar e experimentar de novo, com o Jordi e a Cláudia ao lado sugerindo caminhos. Oito cópias impressas, uma prensa nova dominada e uma lista de soluções a testar amanhã.

Este projeto é realizado com o apoio do Programa Conexão Cultura DF e do Fundo de Apoio à Cultura do DF.