Como encontrei e financiei minha residência artística na Espanha
15 de outubro de 2024
Em novembro, viajarei para a Espanha para participar de uma residência artística de duas semanas no Art Print Residence, um estúdio especializado em técnicas de gravura. Esse espaço criativo recebe gravuristas de todo o mundo e está localizado em Arenys del Munt, uma vila rural a cerca de 30 minutos de Barcelona.
Neste ano, venho frequentando aulas semanais de xilogravura no Centro de Artes da Vila Telebrasília, o que me deu a confiança necessária para me reconhecer como artista e encontrar uma técnica com a qual realmente me identifico. O desejo de continuar aprendendo e de viver novas experiências por meio da gravura me levou a buscar residências artísticas. Em um primeiro momento, tive a impressão de que esses espaços eram reservados a artistas consagrados e com longa trajetória. No entanto, fiz o exercício de entender que uma residência artística é, na verdade, um lugar para experimentar e, acima de tudo, aprender. Já tinha o “não”, então não havia motivo para não tentar.
Em busca da residência artística ideal
Descobri um site chamado Res Artis, onde pude pesquisar residências artísticas filtrando por local e tipo. Como sou espanhola e moro no Brasil há doze anos, pensei que fazer uma residência na Espanha me permitiria aproveitar a viagem para visitar minha família e amigos após a residência. Em minha pesquisa, encontrei três residências que despertaram meu interesse: uma oficina de gravura no centro de Barcelona, chamada Printmaking Barcelona; outra, também em Barcelona, chamada La Maldita Estampa; e, por fim, a Art Print Residence, em Arenys del Munt. Após uma análise cuidadosa, decidi pela última opção. Fiquei atraída pela ideia de estar em um lugar menor, pois, se estivesse em Barcelona, acho que me distrairia facilmente com as muitas atrações da cidade.
Além disso, ao investigar sobre a residência artística Art Print Residence, percebi que eles oferecem uma grande variedade de cursos especializados em diferentes técnicas, cada um com duração de uma semana. Esse foi um fator decisivo para mim, já que havia dois cursos que me interessavam muito: um em xilogravura de múltiplas matrizes e outro em xilogravura de matriz perdida. Essas são técnicas que já explorei, mas com as quais encontrei alguns obstáculos técnicos. Essa oportunidade me pareceu maravilhosa para aprimorar minhas habilidades e entender melhor como obter resultados mais interessantes.
O obstáculo financeiro e a solução do Conexão Cultura
No entanto, havia um desafio: o custo elevado da residência artística, especialmente por ser em euros. Procurei não me desanimar. Uma opção seria economizar para arcar com as despesas, mas, ao considerar as passagens aéreas e o valor da residência, o montante total se tornava muito alto e levaria tempo demais para ser reunido. A alternativa seria buscar uma forma de apoio financeiro. Felizmente, no Distrito Federal, existe o programa Conexão Cultura, que oferece subsídios para a formação e projeção de agentes culturais. Ao analisar os requisitos do edital, percebi que havia uma boa chance de ser contemplada.
Assim, comecei a trabalhar na candidatura. O primeiro passo para me inscrever nesse edital foi me registrar no Cadastro de Entes e Agentes Culturais (CEAC). No próximo passo, preenchi o formulário do edital, detalhando em que consiste a atividade cultural — neste caso, a residência artística — e justificando por que desejo realizá-la. Também tive que anexar o portfólio da instituição que oferece a residência, uma carta-convite, um orçamento de despesas e meu próprio portfólio, demonstrando que a atividade está alinhada com meus interesses e habilidades.
Depois de todo o processo burocrático e de passar por todas as fases de habilitação e avaliação de mérito cultural, minha proposta foi aprovada! Foi um grande alívio, pois, para reservar minha vaga, tive que pagar uma quantia antecipada para formalizar minha participação. Se eu não tivesse conseguido a verba, teria perdido esse dinheiro e provavelmente não teria conseguido realizar esse sonho.
Após a residência, o programa Conexão Cultura exige a realização de uma atividade de contrapartida, algo que considero extremamente valioso. Receber apoio público e depois ter a oportunidade de retribuir à sociedade o conhecimento adquirido me dá um forte senso de responsabilidade e gratidão. É uma forma de contribuir para o enriquecimento da cultura do Distrito Federal, além de me proporcionar uma realização pessoal ao compartilhar o que aprendi. Minha proposta é realizar um workshop no qual eu possa ensinar as técnicas que aprendi, e isso será feito no Centro de Artes.
Já falta pouco!
Agora, falta apenas um mês para minha viagem e estou muito animada. Estou preparando esboços para não chegar de mãos vazias à residência artística. Minha intenção é aperfeiçoar o uso de cores nas minhas xilogravuras e explorar novas formas de combiná-las e utilizá-las de maneira mais criativa. Tenho certeza de que essa experiência me trará novas ideias, soluções e vivências que irão ter um impacto muito positivo em meus trabalhos futuros.
Agradecimento
Gostaria de expressar minha gratidão à Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal, ao Fundo de Apoio à Cultura e ao programa Conexão Cultura por me proporcionar essa oportunidade, que, sem dúvida, será uma experiência extremamente enriquecedora para mim como artista.
Convido você a acompanhar minha jornada nos próximos meses aqui no blog. Durante a residência, vou registrar minhas experiências, aprendizados e o desenvolvimento do meu processo criativo, como em um diário de bordo. Será um espaço para compartilhar as descobertas e os novos caminhos que essa imersão artística abrirá.
Até já!
Este projeto é realizado com o apoio do Programa Conexão Cultura DF e do Fundo de Apoio à Cultura do DF.





