Último dia na Art Print Residence

6 de dezembro de 2024
O último dia de residência tem um ritmo próprio: mais lento, mais atento ao que está terminando.
Passei a manhã limpando e organizando as áreas que usei durante as duas semanas. Há algo quase meditativo nesse processo — guardar as goivas, limpar os rolos, deixar o espaço como estava antes de chegar. É também uma forma de fechar o ciclo, de passar em revista tudo o que aconteceu ali.
Depois espalei todas as impressões e avaliei o conjunto com calma — provavelmente a primeira vez em dois semanas que consegui olhar para tudo ao mesmo tempo, sem estar no meio do processo. Separei as melhores cópias de cada obra e fixei no painel expositivo do ateliê para fotografar os trabalhos finais. Ver as obras expostas deu uma dimensão diferente ao que foi produzido.
Com a ajuda do Jordi e da Ariadna, preparamos o pacote para enviar tudo para Brasília. As obras são grandes e a segunda obra, especialmente, não caberia facilmente em nenhuma mala. Os próximos dias incluem trens, conexões e quatro dias em Barcelona, e carregar tudo isso na bagagem não fazia nenhum sentido. Foi uma decisão fácil: valeu a pena gastar com o envio e viajar leve.
Fotos de grupo no ateliê. Subida ao apartamento para terminar a mala, aquela última arrumação apressada, verificando se não ficou nada para trás. Descida de novo para me despedir da Sylvie, da Miao, da Shivangi e da Ariadna. As despedidas foram calorosas — duas semanas de convívio intenso criam laços que surpreendem pela velocidade com que se formam. Saí sabendo que seria difícil reencontrar aquelas pessoas, cada uma voltando para o seu país, para a sua rotina. Esse é o lado agridoce de uma residência: o que se constrói junto tem prazo para acabar.

Sair do ateliê foi estranho. Doze dias é pouco tempo no calendário, mas quando se trabalha com intensidade, resolvendo problemas, aprendendo técnicas novas, errando e corrigindo, o tempo se comprime de um jeito diferente. O espaço ficou familiar rápido demais. As pessoas também.
Não sei quando terei a oportunidade de voltar. Mas tenho certeza de que voltarei e que, quando isso acontecer, já saberei o que fazer diferente e o que quero aprofundar. Esta residência foi um ponto de partida, não uma conclusão.
Este projeto é realizado com o apoio do Programa Conexão Cultura DF e do Fundo de Apoio à Cultura do DF.




















