Dia 11 — Aceitar o ruído

5 de dezembro de 2024
Comecei o dia imprimindo as duas últimas cópias da primeira cor. Feito isso, retirei os corações das romãs da matriz — são eles que permanecerão turquesa na obra final, preservados enquanto o restante recebe o azul escuro. Aproveitei também para trabalhar mais os fundos com a goiva elétrica, que continuavam manchando mais do que eu queria.
Então começou a impressão da segunda camada.
Com a pressão repetida da prensa, a madeira foi se deformando aos poucos — o compensado de choupo é mais macio, e o grande formato amplifica qualquer variação. A deformação fez com que os fundos sujassem ainda mais durante a entintagem. Tentei contornar, ajustei o que pude, e em algum momento tomei uma decisão: aceitar que o ruído fazia parte desta obra. Não era o plano, mas passou a ser o resultado.
No total, imprimi sete cópias com a segunda cor. Reservei três com apenas a primeira camada — o turquesa sozinho — para ter também essa versão.
O que esta obra ensinou
O grande formato e o método de matriz perdida são uma combinação exigente. Manusear folhas grandes sobre a matriz é trabalhoso, e qualquer imprecisão no encaixe se multiplica: um milímetro de desvio no topo da folha pode virar vários na base. Não há margem para imprecisão — e quando ela acontece, aparece.
Mesmo assim, estou contente com o resultado. As obras têm presença, têm cor, têm vida. Os problemas de registro e o ruído nos fundos fazem parte do processo de aprender uma técnica nova num formato desafiador — e saio desta semana sabendo exatamente o que fazer diferente na próxima vez.
Materiais utilizados
- Compensado de choupo 5 mm
- Goiva elétrica
- Tintas Pantone e rolo 60° Shore
- Prensa elétrica de grande formato
- Papel BFK Rives 100% algodão
Amanhã é o último dia da residência.
Este projeto é realizado com o apoio do Programa Conexão Cultura DF e do Fundo de Apoio à Cultura do DF.






