Dia 9 — Pronta para imprimir

3 de dezembro de 2024

Passei o fim de semana e a segunda-feira gravando. Hoje, finalmente, terminei de retirar todas as áreas necessárias para a primeira cor.

Foram dias de trabalho acumulado — goivas normais para os contornos e detalhes, a goiva elétrica para agilizar as áreas grandes, e a dremel com broca fina para os furinhos dos corações das romãs, o mesmo recurso que funcionou tão bem na semana passada.

Com a entalha concluída, preparei o registro e parti para os testes de cor. Primeiro no iPad, para ter uma ideia rápida das possibilidades, depois com as tintas de verdade. O resultado foi claro: vou precisar adicionar muito mais transparência ao azul. A cor, no papel, é outra coisa — mais pesada, mais densa do que parece na tela.

Pensei também nas máscaras. O ruído nos fundos foi um dos problemas que apareceram na obra da semana passada, e não quero repetir. Vou precisar encontrar uma solução antes de começar as impressões.

À tarde, pedi opinião à Ariadna — uma das instrutoras do ateliê —, à Miao e à Silvie sobre os cores. As três deram bons conselhos, todos apontando para a mesma direção: garantir contraste suficiente entre os elementos. Turquesa e azul escuro são próximos demais para conviver sem cuidado. A transparência vai ser a chave.

O que vem amanhã

Amanhã corto o papel e começo as impressões com a primeira cor — o turquesa, que cobrirá todos os elementos: galhos, folhas e romãs. É a camada que define tudo o que virá depois, e que ao mesmo tempo será parcialmente destruída para dar lugar à segunda.

Depois de dias com a cabeça baixa sobre a madeira, há algo revigorante em levantar os olhos e perguntar. A Ariadna, a Miao, a Silvie — cada uma vê coisas diferentes, e ouvir todas elas juntas ajuda a calibrar o que os próprios olhos já não conseguem ver com clareza. A residência também é isso.

Este projeto é realizado com o apoio do Programa Conexão Cultura DF e do Fundo de Apoio à Cultura do DF.